A Fadiga e a Condução

A 25 de Novembro de 2011, em Conselhos,

A fadiga é um estado que condiciona a obtenção de bons resultados em qualquer actividade e que se caracteriza por uma diminuição das capacidades perceptivas, cognitivas e motoras.

Prejudica a vigilância, a atenção, a capacidade perceptiva, a resposta reflexa, o tempo de reacção e todo o processo de decisão. Se transpusermos todas estas alterações para a actividade de conduzir facilmente se compreende a perigosidade de a realizar sob o efeito da fadiga.
A condução requer uma elevada concentração em detalhes importantes. As omissões ou lacunas traduzem-se em apreciações incorrectas e em respostas desajustadas às diferentes situações com que o condutor se vai confrontando na circulação.
É comum pensar-se que a fadiga ao volante corresponde ao adormecimento durante o acto da condução. Contudo, o adormecimento corresponde a um estado extremo de fadiga, que já ultrapassa o estado de sonolência.
A fadiga corresponde a um cansaço ou exaustão. As capacidades necessárias à prática de uma condução segura ficam diminuídas logo que o estado de fadiga se desencadeia, muito antes de correr o risco de adormecer ao volante.
Os efeitos da fadiga e as suas consequências podem ocorrer sem que o condutor se aperceba, subestimando frequentemente o impacto que este factor interno tem na falha humana, maioritariamente presente na sinistralidade rodoviária.
É importante os condutores conhecerem as principais causas da fadiga e/ou sonolência ao volante, para que possam tomar as devidas precauções, especialmente antes de uma viagem longa. Nunca é demais lembrar que o pico da fadiga e da sonolência surge entre as 2 e as 6 horas da madrugada e à tarde entre as 14 e as 16 horas, quando o ritmo biológico induz o sono.
Existem factores inerentes à própria pessoa (como dormir pouco, a ingestão de determinados medicamentos ou de álcool, entre outros) e factores respeitantes à infra-estrutura e ambiente rodoviário (como um ambiente rodoviário monótono, a circulação nocturna, grande ou muito reduzida intensidade de trânsito, etc.).

Principais causas da fadiga ao volante

    • Déficit de horas de sono
    • Grande esforço físico
    • Trabalho intelectual intenso
    • Ingestão de bebidas alcoólicas
    • Ingestão de alguns tipos de medicamentos
    • Estado de stress
    • Estado de doença
    • Posição desconfortável ao volante
    • Longas horas de condução
    • Temperaturas extremas (muito calor ou muito frio)
    • Ambiente saturado (com fumo, por exemplo)
    • Monotonia provocada pelo meio ambiente e/ou pelo traçado da via
    • Deficiente arejamento do habitáculo do veículo
    • Refeições pesadas
    • Condução nocturna
    • Deficiências visuais não corrigidas

Quando não se dorme o suficiente, mesmo que seja apenas numa noite, inicia-se uma “dívida de sono” que se vai acumulando até que o sono necessário seja reposto. Uma sonolência problemática ocorre quando a dívida de sono acumula. Se forem perdidas demasiadas horas de sono, o facto de dormir mais ao fim de semana pode não servir para reverter completamente os efeitos de não dormir o necessário durante a semana.

Principais sintomas da fadiga

  • Bocejos frequentes
  • Dificuldade de concentração
  • Dificuldade em manter os olhos abertos e em os focar
  • Sensação de picadas nos olhos ou de olhos pesados
  • Sensação de entorpecimento e cãibras
  • Impaciência, mau humor
  • Dificuldade em manter a cabeça direita
  • Sensação de reagir com mais lentidão
  • Dificuldade em reter em memória acontecimentos imediatamente anteriores
  • Pensamentos desconexos
  • Sensação de sonhar acordado
  • Mudanças bruscas de velocidade
  • Alterações no desempenho da condução, como dificuldades no manuseamento da caixa de mudanças
  • Sensação de que todos os outros condutores conduzem mal
  • Sensação de alterações no ruído próprio do veículo

Principais efeitos da fadiga

  • Perda de vigilância em relação ao meio envolvente
  • Aumento do tempo de reacção – estima-se que, após 2h de condução continuada, o tempo de reacção normal do condutor duplique e consequentemente a distância de reacção e a distância de paragem do veículo aumentem
  • Lentificação da resposta reflexa
  • Diminuição da capacidade de decisão
  • Perturbações na visão
  • Períodos de ausência de 1 a 4 segundos com os olhos abertos
  • Aumento da sensação de esforço
  • Menosprezo pela sinalização e dificuldades na sua descodificação
  • Dificuldade em manter a trajectória do veículo

Não esquecer que a fadiga é, só por si, um agente indutor da sonolência.

Estudos internacionais provam que os efeitos da fadiga na condução são semelhantes aos efeitos provocados pelo álcool. Sabe-se que após 19 horas de privação de sono a diminuição de desempenho é equivalente à observada em indivíduos com uma TAS de 0,50g/l e que após 24 horas sem dormir essa diminuição é similar a uma TAS de 1g/l.

A condução sob os efeitos simultâneos da fadiga e do álcool é extremamente arriscada. É uma junção explosiva (álcool e privação do sono) que pode explicar o elevado índice de gravidade na sinistralidade rodoviária que ocorre no período nocturno, envolvendo as camadas mais jovens.

Principais formas de evitar a fadiga

  • Iniciar a viagem bem repousado
  • Dividir as viagens mais longas em etapas e dormir o suficiente nas noites precedentes (1 a 2 horas de sono em défice por noite, equivale a uma noite em claro ao fim de 4 a 5 dias). Estima-se que, em média, uma pessoa precise de dormir entre 6,30 a 9h por noite
  • Não estabelecer hora de chegada
  • Comer refeições ligeiras
  • Não ingerir bebidas alcoólicas
  • Ter em atenção que determinados medicamentos podem provocar sonolência
  • Manter o veículo bem arejado
  • Ajustar o banco de forma a sentar-se confortavelmente
  • Parar de 10 a 15 minutos todas as 2 a 3 horas de condução, sair do veículo e fazer alguns movimentos, prolongando esse período se necessário
  • Não resistir à fadiga, nem ao sono. Se necessário, parar e dormir um pouco (20 a 40 minutos) ou passar, se possível, o volante a outra pessoa
 

ATENÇÃO A FADIGA E A CONDUÇÃO SÃO INCOMPATÍVEIS

 
Fonte: ANSR